O Desenhista


Literatura mais infanto que juvenil, PEDRINHO E O PEIXE AZUL prima pela colocação de nossa cultura-raiz em forma romanceada, aventura com muita agitação onde o fantástico cede lugar à crença do povo ribeirinho e a lenda ganha vida.

Quando Isabela Cristina Rodrigues Soares, de Belém (PA) diz sobre os limites e deslimites da literatura infanto-juvenil, está também querendo dizer que a Internet expõe que o que há de bom e o que há de muito ruim ao alcance da criança e do pré-adolescente. Isto quer dizer que já podemos recomendar a leitura de Pedrinho e o Peixe Azul para qualquer faixa etária, sem nos preocuparmos em quão assustador pode ser esta história para o pequeno, desde que a programação televisiva traz animações muito mais aterradoras.

A intenção de PEDRINHO E O PEIXE AZUL não é de maneira nenhuma aterrorizar, mas movimentar e principalmente – este é o objetivo principal – transmitir as lendas amazonenses e criar um ambiente de reconhecimento do amor como combustível da vida. E prova de amor é o desprendimento e o sacrifício em favor do próximo.

O que traz de mais fantástico nesta obra toda é o fato de que o escritor MACISTE COSTA também é o ilustrador. E não sabemos, neste caso, quem é o melhor: o Maciste escritor ou o Maciste desenhista. Ambos, bem dizendo.

 

A simplicidade faz grandes obras-de-arte. Maciste conta uma história simples, tirada das inúmeras lendas indígenas e traceja suas ilustrações com o auxílio de instrumentos simples, como uma caneta Bic de tinta cor preta sobre papel. Para colorir, aquarela sobre os traços de Bic. E o resultado surpreende até mesmo profissionais do desenho.

Além de tudo, percebemos nele o profundo conhecedor que é de nossas paisagens nortistas ao reparar em suas representações da natureza pelo desenho. Só que já esteve (eu estive, tive esse privilégio) embrenhado nessa selva reconhece-a nas minúcias de suas obras.

Reconhece-se um povo através de sua cultura. E Maciste a defende sob sua arte.

  

desenhos de Maciste Costa - Anhangá (espírito da floresta) e Iara.

PEDRINHO E O PEIXE AZUL – Maciste Costa – Premio IAP de Literatura Infanto-Juvenil

Instituto de Artes do Pará – Secretaria de Estado de Cultura - 2007

(imagens protegidas por © direitos autoriais do autor).



Escrito por Antonio de Mello às 18h21
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“A inspiração vem de Deus e o compositor a transforma em notas musicais que são elevadas de volta ao Criador.” Ludwig Van Beethoven.

Seguindo a linha de pensamento do mestre Beethoven, podemos estender a inspiração de Deus a todo artista, seja ele compositor, músico, escultor, pintor, desenhista. Isto quer dizer que o autor transforma em traços que são elevados de volta ao Criador, seja esse traço uma escultura, pintura ou desenho.

Essa é a função da arte elevada: contatar o Criador através do pensamento que cria. Dizemos “arte elevada” porque somente se pode enviar um pensamento a Jesus (nosso advogado perante Deus) através da sublimidade em atos e pensares. E é somente assim que consegue-se criar imitando a Deus.

Seja um desenho o retrato de uma criança, um rosto ou mesmo os traços de uma animal ou planta – até a natureza em paisagens – se o artista eleva seu pensamento, ele está em contato com a divindade que criou o modelo escolhido.

Nos tempos que vêem a seguir, a arte será colocada em seu devido lugar: passará a ser elemento primordial para a manutenção da vida. A arte terá que ter sua elevação, pois como alimento vital que é, tem que ter qualidade para trazer saúde. Tudo o que for banal e vulgar perderá espaço e será descartado. A cultura terá sua importância em detrimento dos bens puramente materiais. É lógico que ninguém viverá simplesmente se alimentando de arte (mesmo admitindo que possa ser assim em ambientes extra-corpóreos), porém as coisas ocuparão sua verdadeira escala de importância e preferência na vida.



Escrito por Antonio de Mello às 18h14
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A VERDADEIRA DEFINIÇÃO DE ARTE

"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." (Auguste Rodin).

O parisiense François-Auguste-René Rodin (12.11.1840/17.11.1917) foi um dos escultores mais geniais da história da arte. Rodin já sabia que tudo é vibração, por isso afirmava que a natureza também tem alma. Pois que o espírito evolui e vem desde a anêmona mais simples ao pensamento contínuo do homem. E a fonte desse pensamento é o espírito. O cérebro é o instrumento. A fonte dos dados é o disco-rígido do computador ou o pen-drive ou o compact-disc. O computador processa esses dados e o apresenta em uma fonte de saída inteligível para nós, seja impressa em papel ou em forma de luz no monitor de TV do aparelho.

Porém, o grande artista já percebia que tudo é vida. E definiu a arte como a fonte manancial de saber e compreensão do Universo (em maiúscula, para enfatizar a Divina Criação).

O Desenhista há muito vem procurando uma definição para arte. De todos os compêndios consultados, só encontrou explicações vazias. Pois que, em uma visão positivista, cientistas não podem definir o que não vêem e não percebem. Somente alguém ligado ao mundo imaterial como esse grande artista que foi Rodin podia perceber.

Acontece que ele se ligou ao mundo maior – por isso mesmo sua arte transcende o comum – e por isso mesmo afirma com base que ser artista é a missão mais sublime, pois que é através de seu trabalho no campo da arte que a compreensão do Mundo Superior é atingida.

Falamos aqui da arte elevada, aquela que procura pela verdadeira inspiração. Não dá para enlevar-se quando se procura no mundanismo, no popularesco vulgar (não confundir com arte popular). Há que se retirar o espírito, deixar vagar por ondas sublimes de cores, sons e vibrações para sentir a arte.

É sim para todo artista, desde que se empenhe. Exige-se disciplina, perseverança e mudança no modfdo de viver para enxergar o mundo da arte. Aquele que alcança essa elevação descobre um mundo todo à parte: está na criança. No índio, no negro, no judeu, no branco europeu, no árabe, chinês ou japonês. Na mulher de todas as raças; nos animais, nas plantas; nos mares e na natureza verde das montanhas.

É o esforço recompensado de quem acorda na madrugada tão somente para apreciar o nascer do sol; do que pára na vésper encantando-se com o poente. Naquele que vê as estrelas e imagina quanta vida haverá naqueles mundos; no que se envolve com o marulhar do regato e tem ouvidos para os pássaros multicores. De quem vê o mar e percebe nele fonte infindável de inspiração.

É saber captar a alma da natureza e tentar retratá-la com a maior precisão que sua atual percepção consegue compreender.

O Desenhista



Escrito por Antonio de Mello às 18h01
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